Artigo da Carta Capital: Cidades Inteligentes



Uma cidade inteligente melhora a vida dos habitantes, aproveitando a tecnologia para aprimorar os serviços utilizados pela população. Muitos desses locais se destacam por terem um controle urbano eficiente, trânsito que flui, um sistema de transporte público que atende às demandas dos usuários, sistema habitacional digno e limpeza. A “smart city” também é projetada em cima das ideias e críticas dos cidadãos. Ou seja, o povo faz parte do conceito e da construção.


O papel da tecnologia nesse processo é fundamental, mas é possível dar um passo adiante tomando medidas que não precisam, necessariamente, de alto custo tecnológico e financeiro. Copenhague, na Dinamarca, é um bom exemplo. A cidade investiu no transporte alternativo para diminuir o uso de combustíveis fósseis. Ciclofaixas estimulam os moradores a usarem a bicicleta, diminuindo a emissão de gases poluentes e reduzindo o volume de carros nas ruas.


Outro exemplo de Cidade Inteligente é Songdo, na Coreia do Sul. Referência no planejamento urbano, a cidade desenvolveu um mecanismo que reaproveita a água da chuva para irrigar os espaços públicos e a vegetação local. Barcelona, na Espanha, investe em um sistema de coleta de lixo cujo material é recolhido de hora em hora através de escotilhas conectadas a um sistema de tubulação que transporta os dejetos até um centro de coleta distante da cidade. Lá, o material orgânico transforma-se em combustível que gera eletricidade.


O Brasil também possui algumas cidades que lançam mão de recursos inteligentes para atender às necessidades básicas da população, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador. A capital baiana utiliza a tecnologia para analisar o uso de energia nos locais públicos e diminuir o consumo nos momentos em que a iluminação não é necessária. Em São Paulo, durante a gestão de Fernando Haddad, houve investimentos em corredores de ônibus e ciclofaixas. Curitiba, por sua vez, destaca-se pela implementação de uma frota de carros elétricos que diminuem a emissão de poluentes.


Diante de tantos exemplos interessantes e com resultados comprovados, tenho conversado com especialistas e com a população de minha cidade, o Recife, sobre como tornar esse conceito de “smarts cities” ainda mais abrangente e presente na vida dos cidadãos.


Devido à pandemia do coronavírus, esse debate, chamado de Recife Cidade Inteligente, tem ocorrido com reuniões virtuais, pelas redes sociais, mas também pelas rádios comunitárias. Vale lembrar que, antes mesmo da chegada da internet, as rádios sempre exerceram esse papel de mobilização e reivindicação por melhorias dos espaços urbanos periféricos.


Um aspecto que tem ficado claro é que é necessário inserir a ideia de cidades inteligentes em contextos onde os habitantes vivem suas vidas com questionamentos e com problemas reais e anseiam por um ambiente melhor para suas famílias. Uma cidade que cuida do saneamento e abastecimento de água, com ruas asfaltadas, iluminação adequada, posto de saúde funcionando e creche para atender às crianças é também inteligente, pois cuida da cidadania.


No Recife Cidade Inteligente estamos tratando de cinco eixos que se não pretendem abarcar todos os desafios de uma complexa cidade de 1,6 milhão de habitantes, ao menos oferecem caminhos de soluções mais estruturadas e resultados sustentáveis. Os eixos centrais são: Saúde, Educação, Combate às Desigualdades, Mobilidade, Cultura, Esporte e Lazer.


Vou citar aqui alguns exemplos importantes que ilustram o tamanho do desafio e reforçam a necessidade de soluções inteligentes para melhorar a realidade.


Na mobilidade, de acordo com o ranking da “Traffic Index”, da empresa GPS Tomtom, o trânsito do Recife é o pior do Brasil. É possível amenizar a situação investindo em um transporte público mais eficiente e em ciclofaixas permanentes. Para se ter uma ideia, cerca de 15% da população do Recife usa a bicicleta para ir e voltar do trabalho. Incentivar o uso desse meio de transporte, além de ser benéfico para a saúde, melhoraria o trânsito recifense.


É preciso entender a necessidade de mudar a lógica "carrocrata", redesenhar o espaço urbano e alterar a infraestrutura da cidade, alargando calçadas e implementando rotas fixas conectadas entre si para bicicletas. Uma Cidade Inteligente também investe em moradias populares e em conjuntos habitacionais. O Recife é uma cidade que precisa desse tipo de investimento, porque 4.725 famílias vivem em palafitas espalhadas por toda a capital.


A tecnologia também pode ser uma ferramenta bastante eficaz nas marcações de consultas médicas em postos de saúde e, até mesmo, no teleatendimento ao pacientes, evitando que eles durmam em filas na tentativa de se consultar.


Há muito trabalho a ser feito no desenvolvimento de uma cidade, mas é preciso entender que o avanço tecnológico é um aliado na luta para uma vida melhor e mais justa.

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© 2020 Marília Arraes

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